Ai Ai...
Como as coisas se complicam ao longo da minha incessante busca por algo realmente plausivel...
O Amor por exemplo, algo tão tangivel, me esta cada vez mais distante, sei lá, as vezes tem sido mais "barra" do que eu imaginava...terminei um relacionamento relativamente curto, porém intenso, saí de casa, e o trampo que cada vez me sufoca mais...Sei lá...
Vai um Conto....
Vestido Branco, Vestido preto
Alexandre Matias
Era dia, o dia mais escuro de que se tem noticia,
ninguém sabia pq, mas os pássaros não cantaram, nem cantariam.
Ela dentro de seu casebre fazia mingau, ou estava tentando fazer o tempo passar mais rápido.
Naquele dia sombrio a única coisa que passava,
eram transeuntes sem direção, os ponteiros do relógio pareciam se manter imóveis
Mexia na panela, mexia o mingau, assoviava, os vira-latas torciam as orelhas
Assoviava para preencher a lacuna que a falta do canto dos pássaros deixou
Ela parou, olhou pela janela, se via ainda menina brincando no quintal de terra batida, mexia o mingau, mexia a panela, assoviava
Depois de uma hora o relógio marcava um minuto corrido, as horas eram minutos, e tudo estranho, se perdia nas bolhas, assoviava, mexia a panela, mexia o mingau
Era dia nove ou semana nove ou mês nove, já entardecia, o mingau pronto, sem sal, sem açúcar, sem gosto, o prato sem mingau, o mingau para os porcos
Acende uma vela, para aumentar a claridade, apagou o fogão,
varre o tapete tentando lembrar seu nome, foi em vão, colocou o vestido negro como ela, saiu, trancou a porta, soltou o burro, montou, partiu.
Ainda tenta lembrar seu nome, comprou flores, cartão em branco, não lembra o nome, segue
Pára o burro em frente à velha igreja, do cemitério, da praça, da venda,
então desceu e entrou na igreja, procura um rosto familiar, em vão, seguiu até o caixote que se carrega corpos sem vida, sem alma,
aproximou-se, assustou-se, talvez seria, talvez não, se viu nitidamente dentro daquele caixão, não conseguiu chorar, não conseguiria
Flores no chão lembra das velas acesas em casa, ou vai, ou não, com a janela aberta, o vento circularia, mas o vento apagaria? O vento Espalharia?
Não sabe, não se lembra do caminho até lá, vai a porta da igreja, procura o pangaré, ou era um burro, ou um cavalo, teria vindo a pé? Ou teria passado o resto da vida como mendiga, como doida varrida,
moraria nessa cidade, nesse país, nessa Terra?
Pq tudo brilha tanto agora? Por que gritam seu nome, ela não lembra seu nome, não veste preto, veste branco, segue a luz, senti alegria, descansa em paz.
Era dia, o dia mais claro de que se tem noticia...
Alexandre Matias
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
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